Hepatites A e B

A hepatite é uma inflamação do fígado, quase sempre causada por um vírus, mas também pelo álcool e por alguns medicamentos. O fígado fica impedido de desempenhar a sua função e a doença surge.
 

Hepatite A: as mãos como fonte de contágio

 
Transmissão: O vírus propaga-se através das mãos (e daí para a boca), dos alimentos ou da água contaminados, ou através do contacto directo com fezes, durante os cuidados de higiene, incluindo a mudança de fraldas.

Grupos de risco: Adultos e crianças que vivem ou viajam para regiões com deficientes condições de saneamento, contacto directo com pessoas com hepatite A.

Sintomas: O mais frequente é não ter sintomas, mas quando surgem são febre, cansaço, perda de apetite, perda de apetite, vómitos, diarreia, dores abdominais e icterícia (pele e olhos amarelados).

Tratamento: Não existe um tratamento específico para a hepatite A. Repousar, fazer uma alimentação equilibrada, evitar o álcool e medicamentos metabolizados pelo fígado, como o paracetamol são as principais recomendações. Ao fim de algumas semanas, o fígado restabelece-se. Após a cura surgem anticorpos protectores que impedem nova infecção sempre.

Prevenção: A prática de uma higiene adequada é essencial: lavar frequentemente as mãos, particularmente após o contacto com alimentos crus, terra ou fezes.

Vacinação: Está disponível uma vacina contra o vírus da hepatite A. Não consta do Plano Nacional de Vacinação, mas é aconselhada antes de viagens internacionais, a militares e toxicodependentes. É tomada em duas doses, com um intervalo de 6 a 12 meses e pode ser administrada a crianças a partir de 1 ano de idade.
 

Hepatite B: o risco de se tornar crónica

 
Transmissão: Cem vezes mais contagioso do que o VIH, o vírus da hepatite B transmite-se através do contacto com sangue e fluidos orgânicos infectados (sémen, secreções vaginais), com agulhas contaminadas (no consumo de drogas injectáveis ou na prática de tatuagens e piercings). Transmite-se também de mãe para filho durante o parto.

Grupos de risco: Consumidores de drogas injectáveis, pessoas que praticam sexo de risco (desprotegido ou com múltiplos parceiros), crianças nascidas de mães infectadas, profissionais de saúde, prática de piercing e tatuagens, pessoas que vivem em espaços comuns (prisões, aquartelamentos, etc.).

Sintomas: A grande maioria das crianças e adultos não desenvolvem sintomas. Mas os mais frequentes e que surgem 4 semanas a 6 meses após a infecção, como perda de apetite, náuseas e vómitos, fraqueza, fadiga, dores abdominais e, nalguns casos, urina escura e icterícia.

Complicações: O principal risco da hepatite B é tornar-se crónica; assim, acontece quando se prolonga por mais de 6 meses, podendo conduzir a sérias complicações (falência hepática, cirrose e cancro do fígado).
Tratamento: Na fase crónica são usados medicamentos antivíricos, que impedem que o vírus se reproduza e medicamentos que estimulam a resposta imunitária.

Prevenção: Praticar sexo com preservativo, usar agulhas estéreis, não partilhar objectos pessoais como lâminas de barbear ou escovas de dentes, usar luvas quando houver risco de contacto com sangue (na desinfecção de feridas, por exemplo); em caso de gravidez, fazer o teste do vírus da hepatite B.

Vacinação: O Plano Nacional de Vacinação inclui uma vacina contra o vírus da hepatite B, administrada em 3 doses: a primeira após o nascimento, a segunda aos 2 meses e a terceira aos 6 meses; para os nascidos antes de 1999 e que não tenham sido vacinados, é administrada uma dose entre os 10 e os 13 anos; a vacina é também recomendada a profissionais de saúde e viajantes, devendo a sua administração ser gradualmente alargada a todos os jovens e adultos com vida sexual activa, particularmente aqueles com vários parceiros.
 
O principal risco das hepatites é o seu elevado grau de contágio e, no caso da hepatite B, a possibilidade de causar danos permanentes e irreversíveis no fígado. Daí a importância de estar informado, para que não corra riscos!