O centro de testagem à COVID-19 na Farmácia Sacoor do Riviera

Nesta entrevista, a Dr.ª Renata Cartaxo fala-nos sobre o centro de testagem à COVID-19, localizado junto ao centro comercial do Riviera, em Carcavelos.
 

Qual a importância da prestação do serviço, teste rápido de antigénio (TrAg), nas Farmácias?


Desde o início da pandemia que as Farmácias têm tido um papel de destaque, no esclarecimento de dúvidas, no acompanhamento de doenças crónicas, na gestão de terapêutica, na prestação de serviços como a administração de medicamentos injetáveis, medição de colesterol, glicémia, entre outros. Como todos os serviços de saúde estavam sobrelotados, as Farmácias foram o local de confiança de que os utentes precisavam.
Em 2021, a testagem massiva permitia a redução de cadeias de transmissão de modo célere e sabia-se que seria um aliado na redução do número de casos e de casos graves, uma vez que haveria menos contágios involuntários em pessoas imunodeprimidas. O apelo à testagem pelas entidades de saúde era muito grande e as Farmácias têm uma rede de elevada proximidade e estão muito habituadas a prestarem serviços à população. Acredito que os TrAg na Farmácia ajudaram a aumentar o número de testes realizados.
 

Como é que as Farmácias abraçaram o desafio?


Precisamos de recuar ao tempo em que o vírus e a doença se misturavam num misto de mito, desconhecimento e medo, para compreender o sentido de responsabilidade que as Farmácias Sacoor tiveram ao manterem-se desde sempre abertas e em pleno funcionamento.
Foi também embutido nesse espírito que as Farmácias iniciaram a realização de TrAg, o que obrigou a um aumento de formação dos profissionais, adaptação logística do espaço, de modo a garantir, em simultâneo, a realização de testes e a segurança dos utentes habituais que se deslocavam à Farmácia.
 

Como surgiu a iniciativa de criar um centro de testagem?


Em dezembro de 2021, o número de testes atingia recordes diários. A necessidade dos utentes era grande e a vontade das Farmácias Sacoor, que realizavam testes nessa altura, de conseguirem corresponder às expectativas era ainda maior. Não foram raros os agradecimentos às Farmácias Sacoor (Palmeiras), Sacoor do Chiado, Sacoor de Santo Amaro de Oeiras e Sacoor do Feijó pelo esforço e dedicação durante este período. No fundo, todos estávamos empenhados e sabíamos que a testagem era importante e não podia ser adiada, que dela dependiam visitas a lares, hospitais, famílias separadas por tempo indeterminado. No entanto, sabíamos também que queríamos dar um serviço melhor, em que todos os utentes que precisassem de um teste o poderiam fazer no centro de testagem de modo eficaz, mantendo o normal funcionamento da Farmácia. E assim, surge o centro de testagem, a funcionar todos os dias da semana de 2.ª a 2.ª, das 10h às 18h, sem necessidade de marcação. No fundo, um centro disponível para todos, à medida de cada um.
 

Quais os maiores desafios na implementação do contentor?


O contentor trouxe vários desafios. Durante a fase de implementação, preocupava-nos a existência de um espaço que se adequasse às necessidades, os recursos tecnológicos e humanos para se tornar operacional. Depois, durante o funcionamento, os desafios eram permanentes. O aumento de casos positivos também atingiu as nossas equipas de enfermeiros e TSDT, que eram bastante solicitados por Centros de Saúde, de vacinação e Hospitais. Tínhamos baixas consecutivas, que tínhamos de colmatar, o que algumas vezes originou períodos de espera superiores aos desejados. Éramos também, diariamente, contactados pelos utentes que tinham testado positivo ou que tinham tido um contacto de risco positivo, de modo a saberem como atuar, uma vez que a linha Saúde 24 não conseguia dar resposta. A nossa atualização face a novas normas e novas regras e datas em que entravam em vigor tinha que ser permanente. Diariamente, a nossa preocupação era corresponder às expectativas dos utentes, e garantir que todos os utentes que vinham ao centro de testagem realizavam o teste e obtinham o relatório com a maior brevidade possível. Recebemos inúmeras vezes feedback de agradecimento por fazermos testes sem marcação, porque em situações não planeadas a maioria dos espaços que realizavam testes estavam completos e as pessoas sentiam-se num beco sem saída. Fomos, por todos estes motivos, o local de confiança que as pessoas procuraram.
Após milhares de testes realizados durante o mês de janeiro e apesar de todos os percalços, o saldo é positivo e temos um enorme sentido de dever cumprido.